Domingo, 11 de Dezembro de 2011

A Revisão da Temporada de 2011 - Vettel esteve noutra galáxia (Parte Dois)

Continuação da Parte Um.

A McLaren debateu-se com vários problemas nos testes da pré-temporada, tentando fazer com que o seu difusor soprado funcionasse, mas a reversão para uma antiga solução fez milagres pela equipa na corrida de abertura e eles foram muitos competitivos durante grande parte da temporada. Hamilton venceu de forma brilhante na China, e depois veio a vitória de Button no Canadá, a corrida do ano que teve de tudo.

Primeiro tivemos o tempo horrível no Circuito Gilles Villeneuve, depois a colisão entre os colegas de equipa da McLaren que colocou Hamilton fora da corrida. Depois a penalização de passagem nas boxes para Button por andar depressa demais atrás do Safety Car, seguida da paragem da corrida por duas agonizantes horas (para mim, que tinha acabado de ver as 24 Horas de Le Mans na íntegra naquele dia) devido às condições da pista.

Depois, enquanto ele voltava do último lugar depois do reinício, Button colidiu com Alonso, apanhou e ultrapassou Webber e Schumacher que estavam num duelo, e depois fez implacavelmente com que Vettel cometesse um erro na última volta que lhe permitiu ultrapassar e conseguir uma vitória sensacional depois de uma das melhores conduções já vistas sob chuva.

Hamilton venceu outra vez na Alemanha, um alívio do qual Martin Whitmarsh bem precisava depois de uma corrida desastrosa em Silverstone, depois Button venceu na Hungria e no Japão antes de Hamilton, que teve um ano difícil repleto de problemas pessoais, dar um pontapé ao número crescente de critícas com um grande triunfo em Abu Dhabi.

Enquanto o ritmo impressionante de desenvolvimento da McLaren fez dela capaz de bater os Red Bull, a Ferrari debatia-se com problemas. Alonso era forte, liderando na Espanha e vencendo em Silverstone, mas o grande problema do 150º Itália era a má performance com os compostos mais duros da Pirelli. Isso, e a falha de Massa em apoiar Alonso e um historial de colisões com Hamilton (onde a culpa estava igualmente distribuída para ambos os lados), fez de 2011 um ano difícil para a Scuderia.

Não foi tão mau como o da Mercedes, no entanto, pois as Flechas de Prata nunca ameaçaram as três equipas líderes em em grande extensão. Nico Rosberg foi o melhor, e temos de nos lamentar que esta temporada ainda não tenha servido para definir o seu nível geral de capacidades, mas apesar de haver sinais definitivos de promessa vindos de Schumacher, que se aproximou de Rosberg significativamente quando comparado com 2010, o veterano alemão continuou a cometer mais erros do que seria de esperar de um heptacampeão.

A Renault falhou em fazer jus à campanha de pré-temporada, e apesar do agressivamente inovador R31 com os seus escapes virados para a parte de baixo do carro, ao lado do piloto, ter sido um carro com que Kubica poderia ter montado um desafio às equipas de topo, Heidfeld ficou perdido nele, tirando um terceiro lugar na Malásia, e Petrov e Senna pouco mais fizeram.

A Force India teve uma grande temporada que resultou num sexto lugar no fim do campeonato, enquanto eles assistiam a ataques sem grande sucesso por parte da Sauber e da Toro Rosso. Apesar de alguma competição vinda de Pérez, Di Resta foi claramente o estreante do ano. O reservado piloto escocês de 25 anos deixou que tudo o que ele fez ao volante falasse por ele.

Logo de início ele começou a bater Adrian Sutil na qualificação, sendo o alemão um dos mais rápidos em voltas de qualificação, e conseguiu batê-lo nas corridas também, confirmando o potencial que a Mercedes-Benz e o empresário Anthony Hamilton tinham visto nele nos dias da F3 quando ele batia Vettel. As suas performances confiantes e maturas foram complementadas por algumas corridas excelentes de Sutil, que certamente merece manter um lugar na Fórmula 1 em 2012.

A Williams teve um ano muito desapontante, e apesar de Maldonado ter muitas vezes igualado a velocidade de Barrichello, o estreante venezuelano mostrou ser um bom piloto em ocasiões. Da parte de Barrichello, resta saber se o veterano brasileiro chegou ao fim da sua longa carreira de F1, com 19 anos passados na alta competição.

A Team Lotus emergiu como a melhor das novas equipas, conseguindo o lucrativo 10º lugar no campeonato. Kovalainen foi brilhante, Trulli muito menos. A Virgin também fez progressos, especialmente depois de se separar do seu diretor técnico Nick Wirth e da sua abordagem apenas digital ao design do carros. A HRT também progrediu e reagrupou-se à volta dos novos donos espanhóis para 2012, que é a 3ª ou 4ª mudança de donos pela qual a equipa passa em 2 anos.

Na frente técnica a Pirelli ouviu atentamente tudo o que os chefes de equipa e os pilotos tinham a dizer-lhes e agiram de acordo com as suas sugestões. Assim quando os seus pneus chegavam ao limite, a queda de performance era tão marcante que uma paragem nas boxes era inevitável. Em algumas corridas houve quatro paragens por piloto, mas as coisas nivelaram-se com o passar da temporada, e passamos a ver apenas duas ou três trocas de pneus. A conservação dos pneus passou mais uma vez a ser parte da arte de ser piloto. O suave Button foi o melhor nisso. Pelo fim da temporada, a corajosa experiência não teve nenhum efeito negativo perceptível na imagem de marketing da Pirelli, e foi julgada como um grande sucesso.

O DRS também teve os seus momentos, apesar de ter desapontado em algumas alturas. Muito dependia de onde as zonas eram colocadas, e este ano foi de aprendizagem para a FIA. Mas também foi um grande sucesso. Pode ter sido um pouco artificial, mas a verdade é que deu aos pilotos aquela velha vantagem de apanhar o vácuo criado pelos carros que tinha sido perdida com os difusores indutores de turbulência.

Sem dúvida alguma, houve mais ultrapassagens em 2011 do que nunca. Antes do GP do Brasil, a Mercedes estimou que tinha havido 1436 delas. Excluindo aquelas incluídas nas categorias de primeira volta ou de danos, houve 1180 manobras. O total combinado de ultrapassagens 'normais' e 'assistidas por DRS' - o indicador do que a maioria dos observadores considera ser uma ultrapassagem 'limpa' - foi 804, dando uma média de 45 ultrapassagens normais e assistidas por DRS por corrida.

Nestes totais, a Mercedes estimou ainda que tinha havido 441 ultrapassagens normais e 363 com DRS, e que do total de 804 ultrapassagens limpas, 55% eram normais e 45% eram de DRS. 300 ultrapassagens foram feitas sobre as três equipas mais lentas por carros mais rápidos, com as ultrapassagens entre colegas de equipa a representar 76 ultrapassagens.

O maior número de ultrapassagens limpas foi conseguido na Turquia (85), no Canadá (79) e na China (67). As corridas com menos ultrapassagens foram as do Mónaco (16), Austrália (17) e na Índia (18). Nove corridas tiveram menos de 50 ultrapassagens limpas, oito tiveram mais.

A maior influência do DRS foi em Abu Dhabi (89% das ultrapassagens), Valência (81%), Índia (78%), Turquia (59%) e Espanha (57%). A mais baixa foi no Mónaco (13%), Hungria (20%), Canadá (22%), Japão (26%) e Grã-Bretanha (27%), apesar de três destas corridas terem ocorrido em condições de chuva ou misturadas, e o uso do DRS foi restringido em partes da corrida no Canadá e na Grã-Bretanha. As ultrapassagens de DRS foram mais do que as ultrapassagens normais em oito das 18 corridas (que não incluem o Brasil), mas ao todo apenas contaram como 45.5% das ultrapassagens limpas.

O primeiro Grande Prémio da Índia foi um enorme sucesso, e o país recebeu a F1 de braços abertos e fez um grande espetáculo que lhes valeu elogios universais. Em 2012, Austin deverá receber as equipas de Fórmula 1 de volta nos States pela primeira vez desde 2007.

A nova temporada vai ser uma com relativamente poucas mudanças regulamentares significativas e todas as equipas vão poder evoluir os seus atuais carros (apesar de não poderem soprar diretamente para os difusores agora), que vão inevitavelmente aproximar todos e promover ainda melhores corridas.

A mais recente era dourada da Fórmula Um mostra todos os sinais de continuar.

E eu tenho orgulho em dizer que vou estar aqui para a ver.

Cumprimentos.

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