Sábado, 10 de Dezembro de 2011

A Revisão da Temporada de 2011 - Vettel esteve noutra galáxia (Parte Um)

Abu Dhabi, 2010
A nova era dourada da Fórmula 1, como assim lhe podemos chamar, continuou em 2011, enquanto cinco campeões do mundo lutaram pela glória durante 19 corridas. As quatro equipas de topo mantiveram os mesmos pilotos: Sebastian Vettel e Mark Webber na Red Bull; Lewis Hamilton e Jenson Button na McLaren; Fernando Alonso e Felipe Massa na Ferrari; e Michael Schumacher e Nico Rosberg na Mercedes.

Melbourne, 2011
Novos no plantel eram Paul di Resta no lugar de Vitantonio Liuzzi na Force India; Sergio Pérez no lugar de Nick Heidfeld na Sauber; e Pastor Maldonado no lugar de Nico Hulkenberg na Williams. A Toro Rosso manteve Sébastien Buemi e Jaime Alguersuari, a Lotus manteve Heikki Kovalainen e Jarno Trulli, enquanto a Virgin manteve Timo Glock e contratou Jérome D'Ambrosio e Liuzzi fugiu para a HRT com Narain Karthikeyan como colega de equipa até o indiano ser substituído a meio da temporada pelo promissor Daniel Ricciardo.

A mudança mais triste foi forçada na Renault quando Robert Kubica, certamente um dos três melhores pilotos em 2010, foi tão severamente ferido num acidente de rali durante a pausa de inverno que o seu futuro na F1 continua em dúvida. O simpático polaco foi inicialmente substituído por Nick Heidfeld, que teve a sua enésima oportunidade para mostrar a sua impetuosidade, desta vez contra Vitaly Petrov, até ser substituído no GP da Bélgica por Bruno Senna depois de performances abaixo de medianas.

No lado técnico o KERS - o Kinetic Energy Recovery System (Sistema de Recuperação de Energia Cinética) que dá aos pilotos 80 cavalos de potência extra durante alguns segundos por volta - voltou à competição com as equipas mais abastadas, mas não foi utilizado por nenhuma das três equipas mais jovens. Mas as duas grandes inovações foram a introdução da Pirelli como fornecedor único de pneus no lugar da Bridgestone, e as asas de DRS - Drag Reduction System ou Sistema de Redução de Arrasto.

Mais uma vez houve poucos problemas políticos significantes. O mais notório foi o do Bahrain. A situação problemática do país, que ainda se arrasta, segundo algumas fontes do país, e que fez com que a temporada começasse mais tarde depois do cancelamento da primeira corrida, dominou as notícias durante boa parte da temporada. Segundo Bernie Ecclestone, o paddock da F1 vai lá voltar em Abril de 2012. Mas isso é um assunto que ainda vai dar muito que falar.

Depois houve a vexativa saga técnica sobre o difusor soprado, que teve o seu ponto mais alto (mas também o mais vergonhoso) no Grande Prémio da Grã-Bretanha. Enquanto Silverstone celebrava a abertura do seu resplandecente novo complexo de boxes e paddock, construído na saída da curva Club, houve uma grande confusão sobre se as equipas ainda podiam soprar gases sobre o difusor dos seus carros, para gerar mais carga aerodinâmica e assim mais aderência. Poderiam as equipas fazê-lo apenas quando os pilotos tinham o seu pé no acelerador, ou poderiam usar maneiras inteligentes de manter a carga aerodinâmica quando o piloto levantava o pé ao injetar combustível para o fluxo de gás para criar um efeito pós-combustão como o de um motor a jato e assim manter a carga aerodinâmica?

Foi uma daquelas discussões que significava tudo para as equipas mais envolvidas, mas virtualmente nada para os fãs casuais, aos quais era ridiculamente complicado tentar sequer explicar o que se passava. Havia tanta argumentação e contra-argumentação nesse fim de semana que ninguém sabia bem quem fazia o quê, e na Alemanha a FIA teve o bom senso de voltar às antigas regras com a promessa de investigar mais sobre o assunto durante a longa pausa de inverno.

Depois houve a disputa pelos direitos de nome entre o Grupo Lotus (Lotus Renault GP) e a Team Lotus de Tony Fernandes, que ficou tão carregada que teve de ser resolvida em tribunal onde foi dito que a Team Lotus é que tinha os direitos de usar o nome Team Lotus. Mas continuaram as duas a partilhar o nome. O assunto já foi resolvido para 2012, quando Fernandes vai operar a sua equipa sob o nome Caterham, ao mesmo tempo que a Lotus Renault GP se vai tornar na Lotus e a Marussia Virgin se vai tornar na Marussia, o que faz com que, infelizmente, o nome Team Lotus desapareça mais uma vez da Fórmula 1.

Pondo esses problemas de lado, mais uma vez o foco estava nas corridas enquanto mais uma temporada altamente competitiva foi disputada entre as três equipas de topo de 2010. As 19 corridas levaram as equipas de F1 da Austrália ao Brasil, passando pela Malásia, China, Turquia, Espanha, Mónaco, Canadá, Grã-Bretanha, Alemanha, Hungria, Bélgica, Itália, Singapura, Japão, Coreia do Sul, Índia e Abu Dhabi. Este ano não houve um desfecho adiado para a última corrida pois as 11 vitórias de Vettel fizeram dele o mais novo bi-campeão de sempre no Japão, mas Lewis Hamilton e Jenson Button conseguiram três vitórias cada pela McLaren e Fernando Alonso e Mark Webber uma cada um.

Vettel usou o seu carro tremendamente bem enquanto demonstrava cada vez mais maturidade. Ele conseguiu um recorde de 15 poles, batendo as 14 de Nigel Mansell em 1992, e conseguiu muitas vezes construir uma grande liderança nas primeiras voltas da corrida depois de julgar exatamente o quão ele poderia usar e abusar dos seus pneus antes de eles estarem totalmente aquecidos, e conseguindo ainda conservá-los. Corridas como a da Coreia e da Índia indicaram o quão bem ele julga tais coisas, e ele ganhou-as logo no início. Ele cometeu alguns erros em corridas, e muitos em sessões de treinos, mas mostrou que é agora um piloto completo.

O Red Bull RB7, criado pelo génio da aerodinâmica Adrian Newey e pela incrível atenção ao detalhe do designer chefe Roger Marshall, foi o melhor carro da temporada. Perdeu para os Ferraris uma vez e para os McLaren várias, mas foi quase inevitavelmente o mais rápido na qualificação e o mais competitivo nas corridas, assim como foi fenomenalmente fiável. Webber teve alguns problemas de KERS, a falha no pneu de Vettel em Abu Dhabi poderá ter sido causada por uma das inovações de Adrian Newey no sistema de escape, e ele teve um raro problema na caixa de velocidades em Interlagos, mas de outro modo foi à prova de bala.

Continua na Parte Dois.

Cumprimentos.

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